Proféticos
Ezequiel 1
1E aconteceu aos trinta anos, em o quarto mês, a cinco dias do mesmo, que estando eu no meio dos cativos junto ao rio Cobar, se abriram os céus, e tive visões de Deus. 2Aos cinco dias do dito mês, é pontualmente o ano quinto da transmigração do rei Joaquim. 3Foi dirigida a palavra do Senhor a Ezequiel sacerdote, filho de Buzi, na terra dos caldeus, junto ao rio Cobar: E lá obrou a mão do Senhor sobre ele. 4E vi, e eis-que vinha da banda do Aquilão um vento de torvelinho: E uma grande nuvem, e um fogo que se envolvia, e à roda dela um resplendor: E do meio dele, isto é, do meio do fogo, aparecia uma como espécie de esmalte. A palavia hasmal só se eicontra em Ezequiel, e tem sido objeto de extensas e variadas dissertações. Cir. Gesenius, Thesaurus lingune bebraics pag. 835 e sobre todos, e esse parece-nos o trabalho mais completo e consciencioso, Bochart, De Scripturæ animalibus 1692, t. III, pp. 870-878. Os dicionários hebraicos traduzem nes leve, politum, nuricalcun cir. Leopoldo, Lexicon hebraicun chaldaicum, Glaire, etc. Mas, pergunta-se, o que é que a Vulgata e os Setenta quiseram designar pelo termo electrum? Entre os antigos esta palavra significava três substâncias diferentes: o âmbar amarelo, uma pedra cristalina, e uma liga metálica, composta de ouro, prala, cobre, denominada aurichalcum. Os críticos dizem que a palavra e DOI isso verteram hasnal pela expressão que na língua designasse a fusão de diversos metais brilhantes e pudesse exprimir melhor a ideia do esmalte. Hoje sabe-se que os antigos egípcios e os caldeus conhecian o esmalte, que na Idade Média leve o nome de electron. Cir. Luthmer, Das Emnil, Memoir on the ruins of Babylom 1816 e A. Layard Ninereh nnd Babylon; J. Oppert, Expedition scientifique en Mesopotamic, t. I, pag. 113 e Perroi, Histolre de l'art dans I'nutiquitó, t. II, pp. 295, 311. Lavarte diz que os Setenta empregando o termo electron não entenderam outra coisa senão o esmalte, e afirma que Ezequiel empregando o termo hasnial assinalou os grandes impérios asiáticos como ber- 5E no meio do fogo se via a semelhança de quatro animais: E este era o seli aspecto, havia neles a semeIhança de un homem. nos monumentos da Chidéia e da Assiria são frequentes estes animais com formas extraordinárias. No museu do Louvre encontra-se o touro alado do palácio de Sargão, em Khorsabad, de 4m,20 de altura, tendo a cabeça de lomem, asas de águia, corpo de touro. Deus, é sabido, nas revelações que lazia aos seus profetas, não lhes manifestava exclusivamente coisas para estes de todo o pouto desconhecidas; para lhes fazer compreender o seu pensamento, e aqueles à quem os profelas deviam comunicar os oráculos divinos, servia-se de imagens que estivessem patentes aos seus olhos e que lhes fossem familiares: no Egito serviu-se de imagens egip- 6Cada um tinha quatro rostos, e cada um quatro asas. 7Os seus pés eran pés direitos, e a planta do pé deles era como a planta do pé de um novilho, e deles saíam umas faíscas, de que resultava uma como representação de cobre abraseado. incluindo os hebreus, estavam acostumados. Nós mesmos representanos OS anjos com cabeças humanas e asas, simbolizando assim a inteligência e a velocidade. ROSTOS - O latim facies da Vulgata corresponde ao panim do original bebraico. O termo panim siguifica a parte vistvel, a parte externa de uma pessoa ou coisa, Gesenius Thesnurus, 8E tinham mãos de homem debaixo das suas asas aos quatro lados. E também tinham rostos, e asas pelos quatro lados. 9E quanto a estas asas, estavam as de um juntas a outro: Não se voltavam quando iam caminhando: Mas cada qual andava diante da sua face. 10E a semelhança do semblante deles era: Rosto de homem, e rosto de leão à direita dos mesmos quatro: E rosto de boi à esquerda dos mesmos quatro, e rosto de águia no alto dos mesmos quatro. 11Os seus rostos, e as suas asas se estendiam ao alto: Duas asas de cada um se ajuntavam, e duas co. briam os corpos deles: 12E cada um deles andava diante da sua face: Onde estava o ímpeto do espírito, para ali caminhavan, nem se voltavam quando iam andando. 13E a senelhança dos animais era que o seu aspecto vinha a ser como un fogo de brasas ardentes, e corno uma aparência de lâmpadas. Esta era a visão que discorria no meio dos animais, resplendor de fogo, e relâmpago que saía do fogo. coloasais animais de pedra era o rosto humano o facies hominis, 14E os animais iam, e voltavam à semelhança de relâmpagos coruscantes. 15E ao tempo que eu estava olhando para estes animais, apareceu ao pé dos tais animais uma roda sobre a terra, a qual tinha quatro faces: 16E o aspecto das rodas, e a obra delas era corno a vista do mar: E uma só a semelhança das mesmas quatro: E o aspecto delas e obras eram cono se estivera uma roda no meio de outra roda. 17Elas iam igualmente pelos seus quatro lacos: E não se voltavam quando iam rodando.. 18Tinham também estas rodas uma grandeza, e uma altura e um aspecto horrível: E todo o corpo das mesmas quatro rodas estava cheio de olhos ao redor. 19E quando os animais andavam, andavanı também ao mesmo passo as rodas ao pé deles: E quando os animais se elevavam da terra, também as rodas juntamente se elevavam. 20Para qualquer parte que o espírito ia, indo para la o espírito, as rodas, seguindo-o, também igualmente se elevavam. Porque o espírito de vida estava nas rodas. 21Andando os animais andavam as rodas e parando eles paravam elas: E quando eles se tinham elevado da terra, também as rodas seguindo-os juntamente se elevavam: Porque o espírito de vida estava nas rodas. 22E por cima das cabeças dos animais via-se uma semelhança de firmamento, como um aspecto de cristal horrível, e estendido pela parte superior por cima de suas cabeças. 23E debaixo deste firmamento as asas deles estavai direitas, as de um para o outro: Cada um com duas asas cobria o seu corpo, e o outro do mesmo modo estava coberto. 24E eu ouvia o sonido das suas asas, como o sonido de muitas águas, como a voz do alto Deus: Quando andavam, o tropel era como de uma multidão, como um estrondo de arraiais: E quando paravam, se abaixavam as suas asas. 25Porque quando se formava a voz sobre o firmamento, que ficava por cima das suas cabeças, paravanı, e abaixavam as suas asas. 26E sobre este firmamento, que ficava iminente às suas cabeças, havia uma semelhança de trono como aspecto de pedra de safira: E sobre a semelhança do trono havia em cima dele uma semelhança, como aspecto de homem. 27E vi uma como representação de esmalte, um como aspecto de fogo pelo interior dele em circunferên- cia: Desde a cintura,, e diai para cima, e desde a sua cintura até abaixo vi uila como avarência de fogo resplandecente ao redor. 28Como o aspecto do arco ao tempo que estiver na nuvem num dia de chuva: Este era o aspecto do resplendor em roda.