Sapienciais
Jó 4
1Então respondendo Elifaz de Teman, disse: 2Se começarmos a falar-te, talvez que tu o leves de má mente, mas quem poderá conter a palavra concebida! 3Eis-aqui a ensinaste a muitos, e deste vigor a mãos cansadas: 4As tuas palavras firmaram aos que vacilavam: E fortaleceste aos joelhos trêmulos. 5Porém agora veio sobre ti o açoite, e desfaleceste: Feriu-te, e tu te perturbaste. 6Onde está aquele teu temor, a lua fortaleza, a tua paciência, e a perfeição dos teus caminhos? 7Lembra-te, te peço, que inocente pereceu jamais? Ou quando foram os justos destruídos? 8Antes bem tenho visto, que os que obram iniquidade, e semeiam dores, e as segain, 9pereceram a um assopro de Deus, e foram consumidos pelo espírito da sua ira. 10O rugido do leão, e a voz da leoa, e os dentes dos cachorros dos leões se quebraram. FORAM OS JUSTOS DESTRUÍDOS? — Esta proposição é verdadeira respectivamente à vida eterna, mas não a este mundo, onde os justos vivem expostos à perseguição dos implos; é também falsa pela aplicação que Elllaz refero a J0 perseguido e atlito, pois o não é por castigo mas sim para ser provado. Advirta-se com Estio, ' Menochio, e outros graves intérpretes, que as palavras dos amigos de Jó não têm na Igreja autoridade de palavra de Deus, ainda que nelas se encontram muitas sentenças de que os autores eclesiásticos se têm servido, mas a malor parte delas eram aplicadas a Jo, porque os seus amigos o reputavam um pecador, a quem Deus castigava. — Perelra.. O RUGIDO DO LEÃO — E' uma expressão poética com que se representa o fim desgraçado do poder, violência e tirania dos grandes da terra, que compara aos leões e tigres. — Tirino. 11O tigre morreu, porque não tinha presa, e os cachorros dos leões foram dissipados. 12Mas a mim se me disse uma palavra em ségrêdo, e os meus ouvidos como às furtadelas perceberam uma parte do seu ruído. • 13No horror duma visão noturna, quando o sono costuma ocupar os sentidos dos homens, 14assaltou-me o medo, e o tremor, e todos os meus ossos estremeceram. 15E ao passar diante de mim um espírito, os cabelos da minha carne se arripiaram. 16Parou diante um, cujo rosto eu não conhecia, um vulto diante dos meus olhos, e ouvi uma voz como de branda viração. 17Porventura o homem, em comparação de Deus, será justificado, ou o varão será mais puro que o seu Criador? 18Ainda os mesmos que o servem, não são estáveis, e entre os seus anjos achou crime: 19Quanto mais aqueles que moram em casas de lodo, que tem o fundamento de terra, serão consumidos como pela traça?• 20Da manhã até à tarde serão destroçados: E porque nenhum tem inteligência, perecerão para sempre. 21Aqueles porém que deles restarem, serão arrebatados: Morrerão e não em sabedoria.