Sapienciais
Sabedoria 2
1Disseram pois discorrendo consigo não retamente: Curto é, e com tédio se passa o tempo da nossa vida, e não há refrigério no fim do homem, como também não há quem se haja conhecido, que tornasse a vir dos infernos: 2Porque do nada somos nascidos, e depois disto seremos, como se nunca tivéramos sido: Porque a respiração nos nossos narizes é um fumo: E a fala uma faísca para mover o nosso coração. 3Apagada a qual, será o nosso corpo cinza, e o espirito se dissipará como um ar sutil, e a nossa vida passará como um rasto de nuvem, e se desvanecerá bem como nevoeiro, que é afugentado pelos raios do sol, e oprimido do seu calor: • 4E o nosso nome pelo decurso do tempo ficará sepultado no esquecimento, e ninguém terá memória das nossas obras. 5Porque o nosso tempo é uma passagem de sombra, e não há regresso de nosso fim: Porquanto se lhe põe o selo, e ninguém torna. 6Vinde pois, e gozemos dos bens que existem, e façamos a toda a pressa uso da criatura como na mocidade. 7Enchamo-nos de vinho precioso e de perfumes: E não se nos passe a flor do tempo. 8Coroemo-nos de rosas, antes que se murchem: Não haja prado algum, em que a nossa intemperança não deixe pegada. 9Nenhum de nós se dispense de tomar parte nos nossos divertimentos: Deixemos em toda a parte sinais de alegria: Porque esta é a parte que nos toca, e esta é a nossa sorte. 10Oprimamos o justo na sua pobreza, e não pergata diz Ex nihilo nati sumus, nós somos nascidos do nada, tem o grego Nati sumus temero, nascemos como por acaso. E assim verteu Sacy. Tão antigo é no mundo o erro dos que negam a existência de um primeiro Autor e Criador de tudo, sendo ele o que só tem axistência de si mesmo. PORQUANTO SE LHE PÕE O SELO — Alude o autor ao costume antigo, que era por os corpos numa caverna, tapandolhe exatamente a entrada e pondo-lhe o selo. Quanto ao particípio consignata, ou ele se refira a reversio ou a finis, que no grego é do gênero feminino, sempre vem a exprimir o mesmo sentido. doemos à viúva, nem respeitemos as cás do velho de muito tempo. 11E seja a nossa força a lei da justiça: Porque aquilo que é fraco, se reputa por inútil. 12Façamos pois cair o justo nos nossos laços, porquanto nos é inútil, e é contrário às nossas obras, e nos lança em rosto as transgressões da lei, e contra a nossa reputação pública as faltas do nosso procedimento. 13Ele assegura que tem a ciência de Deus, e se chama a si Filho de Deus. 14Tem-se-nos feito censor dos nossos pensamentos. 15Ainda só o vê-lo nos é insuportável: Porque a sua vida é dissemelhante à dos outros e seus caminhos são bem diferentes. 16Somos avaliados por ele como pessoas vás, e se abstém dos nossos caminhos como de imundície, e prefere os novíssinios dos justos, e se gloria de que tem a Deus por pai. 17Vejamos pois se os seus discursos são verdadeiros, e tentemos o que lhe há de vir, e saberemos qual será o seu fim. 18Porque se é verdadeiro Filho de Deus, ele o amparará, e o livrará das mãos dos contrários. 19Façamos-lhe perguntas por meio de ultrajes e tormentos; para que saibamos o seu acatamento, e provemos a sua paciência. 20Condenemo-lo a uma morte mais infame: Por- que, segundo as suas palavras, haverá dele consideração. 21Estas coisas pensaram, e nelas erraram: Porque a sua malicia os cegou. 22E não souberam os segredos de Deus, nem esperaram retribuição de justiça, nen! fizeram conceito da honra das almas santas. 23Porquanto Deus criou o homem inexterminável, e o fez à imagem da sua semelhança. 24Mas por inveja do diabo entrou no mundo a morte: 25E a ele imitam os que são do seu partido. A Sabadoria 3, 1-M