
São Benedito, o Negro, religioso
São Benedito, o Negro
Palermo, Sicília (Itália)
Filho de africanos escravizados na Sicília, frade franciscano iletrado que foi cozinheiro, mestre de noviços e superior em Palermo; muito amado no Brasil.
Arte: São Benedito, imagem em madeira policromada, Capela do Corpo Santo, Funchal, Oficina portuguesa (autor desconhecido), c. 1700 · CC BY-SA 4.0 · fonte
Biografia
Benedito nasceu em San Fratello, perto de Messina, na Sicília, filho de Cristóvão e Diana Manasseri, africanos levados à ilha como escravizados; ele próprio nasceu livre. Trabalhou desde cedo como pastor e lavrador e tornou-se conhecido pela bondade e pela vida de oração, apesar dos insultos que sofria por causa da cor da pele.
Por volta dos 21 anos, uniu-se a um grupo de eremitas que seguiam a regra de São Francisco perto de Palermo e chegou a liderá-lo. Quando, em 1564, o papa Pio IV determinou que esses eremitas se integrassem a ordens aprovadas, ingressou nos Frades Menores e foi destinado ao convento de Santa Maria de Jesus, em Palermo, onde trabalhou como cozinheiro.
Embora fosse irmão leigo e não soubesse ler, sua sabedoria espiritual era tão reconhecida que foi nomeado mestre de noviços e, mais tarde, guardião (superior) da comunidade. Concluídos esses serviços, voltou com alegria à cozinha. Pessoas de todas as condições o procuravam em busca de conselho e oração. Morreu em Palermo em 4 de abril de 1589. Foi beatificado em 1743 e canonizado por Pio VII em 1807.
No Brasil, sua devoção foi difundida sobretudo pelas irmandades de homens negros, escravizados e libertos, desde o período colonial, e permanece viva em festas populares como a Marujada de Bragança (PA) e as celebrações em Minas Gerais, Goiás e outras regiões.