Sapienciais
Cântico dos Cânticos 3
1A esposa. Eu busquei de noite no meu leito aquele a queni ama a minha alma: Busquei-o: E não o achei os seus filhinhos, isto é, os bons pensamentos, e enternecidos aletos, que tanto lhe agradam, e sobremaneira o lisonjeiam. Poucos são os que podem dizer: "O meu amado é para mim e eu para ele". Assim nos diz aquele que de todos os seus sentidos está unido a Deus e não sabe cuidar noutro objeto. Não aquele a quem não basta o Filho de Deus, em queni se acha tudo. Não aquele, que tendo-se-lhe mandado que vendesse todos os seus bens e os desse aos pobres, se entristeceu. Mas di-lo aquele que pode dizer com Pedro: "Eis aqui deixamos nós tudo e fomos em teu seguimento." — Santo Ambrósio. 2Levantar-me-ci, e rodearei a cidade: Buscarei pelas ruas e praças públicas aquele a quem ama a minha alma: Busquei-o, e não o achei. 3Os guardas, que rondam a cidade, me encontraram, e eu lhes disse: Vistes porventura aquele a quem ama a minha alma? 4A poucos passos, que me tinha apartado deles, achei eu aquele a quem ama a minha alma: E agarrar-ine-ei a ele: Nem o largarei, até o não introduzir em casa de minha mãe, e levar à câmara daquela que me gerou. 5O esposo. Eu vos conjuro, filhas de Jerusalém, pelas cabras montesas, e veados do campo, que não perturbeis à minha amada o descanso, nem a façais despertar, até que ela se queira erguer. 6As filhas de Jerusalém. Quem é esta, que sobe pelo deserto, como uma varinhia de fumo composta de aromas de mirra, e de incenso, e de toda a casta de polvilhos odoríferos? 7Eis-aqui o leito de Salomão, ao qual rodeiam sessenta valentes dos mais fortes de Israel: 8Armados todos de espadas, e mui peritos para a guerra: Sobre a sua coxa está pendente a espada de cada um por causa dos temores noturnos. 9O rei Salomão fez uma cadeirinha de madeira do Líbano: 10Fez-lhe as colunas de prata, o reclinatório de ouro, a subida de púrpura: O meio de tudo ornou-o do que há de mais precioso, em atenção às filhas de Jerusalém: 11Sai, filhas de Sião, e vede ao rei Salomão com o diadema de que sua mãe o coroou no dia do seu casamento, e no dia do júbilo do seu coração. era o costume dos antigos, ter guardas na câmara onde dormiam. Dionísio de Halicarnasso, Liv. 64, os supõe na câmara de Lucrécia, quando nela entrou Tarquínio, sem ser pressentido. E isto mesmo. reconhece Ovídio quando diz: Et thalami custos qui jacet ante fores. - Calmet. é, de pau de cedro. E' esta cadeirinha, ou, como vertem os franceses, liteira e trono portátil, a que também no português os mesmos chamam Férculo, no qual este grande monarca saía a passear Dela corte de Jerusalém, quando se queria mostrar aos vassaloa com toda a ostentação de pompa e majestade. Férculo, que todavia Calmet, seguindo a muitos intérpretes modernos, quer antes que seja o leito ou tálamo nupcial. '