Proféticos
Daniel 4
1Eu, Nabucodonosor, estava sossegado em minha casa, e florescente no meu palácio. 2Tive um sonho, que me atemorizou: E estando na minha cama, os meus pensamentos, e as visões da minha cabeça me deixaram todo assustado. 3Por esta causa publiquei eu um decreto pelo qual mandava que viessem à minha presença todos os sábios três últimos versículos deste capítulo parece a alguns críticos que são o princípio de outro Edito pertencente ao capitulo seguinte. Desta opinião é o padre de Carrièries, que supõe que este Edito foi passado muitos anos depois do caso dos três Meninos de Babilonia. pretes supõem que isto foi depois que Nabucodonosor, tendo sujeitado ao seu império a Síria, a Fenícia, a Judéia, o Egito e a Arábla, se recolheu carregado de despojos e de glória à sua corte. — Pereira. de Babilônia, e isto a fim de me darem a explicação do meu sonho. 4Então vieram à minlia presença os adivinhos, os mágicos, os caideus, e os agoureiros e ell contei o meu sonho na sua presença: Mas eles me não deram a sua solução: 5Até que chegou à minha presença o colega Daniel, que teni por nome Baltasar segundo o nome do meu Deus, o qual Daniel tem em si mesmo o espirito dos Deuses Santos: E diante dele expus assim o meu sonho. 6Baltasar, príncipe dos adivinhos, como eu sei que tu tens em ti o espírito dos Deuses Santos, e que não há segredo que tu não possas deslindar: Expõe-me as visões dos meus sonhos que live, e dá-me a explicação delas. 7A visão da minha cabeça, estando eu na minha cama, é esta: Parecia-me que via no meio da terra uma árvore, e era a sua altura desniarcada. 8Era uma árvore grande e forte: E cuja altura chegava até ao céu: A sua vista se estendia até às extromidades de toda a terra. 9As suas folhas eram formosíssimas, e o seu fruto copioso em extremo: E dela se podiam sustentar todas as castas de animais domésticos e selvagens, que habitavam debaixo dela, e as aves do céu pousavam sobre os seus ramos: E dela se sustentava toda a carne. 10Eu estava vendo isto na visão da minha cabeça sobre o meu leito, e eis-que o Vigia e o Santo desceu do Céu. 11Ele clamou com uma voz forte, e disse assim: Deitai abaixo pelo pé esta árvore, e cortai-lhe os ramos: Fazei-lhe cair as folhas, e desperdiçai-lhe os pomos: Afugentein-se as alimárias, que estão debaixo dela, e enxotem-se as aves de cima dos seus ramos. 12Deixai todavia na terra o tronco com as suas raízes, e ele fique ligado com umas cadeias de ferro e de bronze entre as ervas que estão fora no campo, e seja molhado do orvalho do céu, e a sua sorte seja com as feras na erva da terra. 13Mude-se-lhe o seu coração de homem, e dê-se-lhe ul1 coração de fera: E passem sete tempos por cima dele. 14Por sentença dos Vigias foi assim decretado, e esta a palavra e a petição dos Santos: Até que conheçain us viventes, que o Excelso é o que tem a dominação sobre os reinos dos homens, e dá-los-á a quem quiser, e porá nele ao mais abatido dos homens. 15Este é o sonho que eu, rei Nabucodonosor, vi: Tu pois, Baltasar, dá-te pressa a mo interpretar: Porque nenhum dos sábios do meu reino me pode dizer o que significa: Tu, porém, sim, porque o espírito dos Deuses Santos está em ti. 16Então Daniel, por outro nome Baltasar, começou a pensar consigo mesmo em silêncio quase uma hora: E os pensamentos que lhe vinham o perturbavain. Mas respondendo, o rei lhe disse: Baltasar, não te turbe o sonho, nem a sua interpretação: Baltasar lhe respondeu, e disse: Meu Senhor, o sonho seja contra os que te têm ódio, e a sula interpretação seja contra os teus inimigos. BAVAM — Na consideração de que o que por divina rerelação soubera e era mandado dizer, havla de ser sumamente desagradavel so rei, de quem tinha recebido e recebia tão grandes honras. Por isso antes de entrar na decifração do enigma, procura adoçar-lhe a pílula com o pretexto do seu sentimento. 17A árvore que tu viste alta e robusta, cuja altura chegava até o céu e cuja vista parecia estender-se por toda a terra: 18E os seus ramos eram formosíssimos, e os seus frutos em extremo copiosos, e todos achavam nela de que se sustentar, alimárias do campo habitavam debaixo dela e as aves do céu pousavam sobre os seus ramos: 19Esta árvore, digo, és tu, ó rei, que tens sido engrandecido, e que te fizeste poderoso: E crescell a tua grandeza e chegou até o céu, e o teu poder até os termos de toda a terra. 20E quanto ao ter visto o rei ao Vigia e ao Santo baixar do céu e dizer: Deitai abaixo esta árvore, e cortai-lhe os ramos, deixai todavia na terra o tronco com as suas raízes, e ele fique ligado com umas cadeias de ferro e de bronze entre as ervas que estão fora no campo, e seja molhado do orvalho do céu, e o seu pasto seja com as feras, até se terem passado sete tempos por cima dele: 21Eis-aqui a interpretação desta sentença do Altíssimo, que foi pronunciada contra o rei meu senhor: 22Lançar-te-ão fora da companhia dos homens, e a tua habitação será com as alimárias e feras, e comerás feno como o boi, e serás molhado do orvalho do céu: Passar-se-ão também sete tempos por cima de ti, até que tu reconheças que o Excelso tem debaixo da sua dominação os reinos dos homens e os dá a quem lhe apraz. 23Quanto porém ao que mandou, que se conservasse o gérmen das suas raízes, isto é, da árvore: Quer dizer, que o teu reino se ficará conservando para se te tornar a dar depois que tu tiveres reconhecido, que todo o poder vem do céu. 24Portanto segue, ó rei, o conselho que te dou, e resgata os tells pecados com esmolas, e as tuas inigüida- des com obras de miscricórdia para com os pobres: Talvez que o Senhor te perdoe os teus delitos. 25Todas estas coisas vieram sobre o rei Nabucodon0so1. 26Depois, ao cabo de doze meses, passeava ele n1o palácio de Babilônia. 27E respondeu o rei e disse: Não é esta aquela grande Babilônia, que eu edifiquei para corte do meu reino, com a força do meu poder, e com a glória da minha majestade? 28E como não tivesse o rei acabado ainda de proferir estas palavras, veio do céu retinindo esta voz: Isto é o que a ti, ó rei Nabucodonosor, se intima: O teu reino passará de ti a outro possuidor. Daviel $, 29-31 29E lançar-te-ão da companhia dos homens, e a tua habitação será com as alimárias e feras: Comerás feno como boi, e sete tempos passarão por cima de ti, até que reconheças que o Excelso tem um poder absoluto sobre os reinos dos homens, e que os dá a quem lhe apraz. 30Na mesina hora se cumpriu esta palavra na pessoa de Nabucodonosor, e ele foi lançado da companhia dos homens, e comeu feno como o boi e o seu corpo foi molhado do orvalho do céu: De sorte que lhe cresceram os cabelos e o pelo, cono as plumas das águias, e as suas unhas se fizeram como as garras das aves. 31Portanto depois que se cumpriu o tempo, levantei ell, Nabucodonosoi, os meus olhos ao céu, e tornoume a vir o sentido: e eu bendisse ao Altíssimo e louvei, e glorifiquei ao que vive eternamente: Porque o seu poder é um poder eterno, e o seu reino se estende de geração em geração. 32E todos os habitantes da terra são reputados diante dele como um nada: Porque ele faz tudo o que quer, tanto nas virtudes do céu, como nos habitadores da terra: E não há quem resista à sua mão, e lhe diga: Por que fizeste tu assim? 33Ao mesmo tempo me tornou a vir o meu juízo, e eu recobrei o esplendor, e toda a glória do meu reino: E foi-me restituída a minha primeira figura, e os grandes da minha corte, e os meus magistrados me vieram buscar, e fui restabelecido no meu reino: E fiquei sendo maior do que nunca. 34Agora pois, eu Nabucodonosor louvo, e engrandeço, e glorifico ao rei do céu: Porque todas as suas obras são verdadeiras, e os seus caminhos cheios de justiça, e ele pode humilhar os que andam na soberba. os instintos dos animais ferozes, conforme a expressão de Daniel. Intrant, nocte vagantur... Interdiu Intent domi: ubi tenebrae apparent, statim exeunt. J. Mercurialis. Medicina prítica, t. 1, cap. 12. Cir. Revue des deux mondes, 1 agosto 1882, o artigo Lycanthropy da Enciclopédia Britânica, London, t. XV, 1883. Pusey diz que esta esnécie de licantropia, de que foi atacado Nabucodonosor, estava indicada nos seguintes versos de Virgilio: Pratides implerunt falsis mugitibus agros... Quamvis collo timuissent aratriun Daniel the prophet, 1804. Lect. VII, p. 425. E' sabido que um dos membros de una das casas reinantes da Europa, atualmente, está atacado de uma manla idêntica, ladrando como os cães, principalmente nas poltes de luar.