Sapienciais
Eclesiástico 11
1A sabedoria daquele que é de baixa condição, o sublimará em honras, e o fará assentar no meio dos grandes. (T) FILHO, CONSERVA A TUA ALMA — Pode ter este lugar três sentidos. O primeiro é, que se alguém se achar em aperto, não descoroços, antes mostre a sua paciência e mansidão, sem que que oure coisa indigna de sua pessoa, e, segundo esta inteligência, vem a dizor, o mesmo, que a sentença de Cristo por Lo 21, 19. "'Na vossa paciência possuireis as vossas almas." O segundo mostra que, ficando jil arguídos no versículo acima os que, ainda morrendo à fome, avalian por baixeza o trabalho, deram igualmente ser condenados aqueles que por avareza se defraudam das coisas necessárlas à vida, nem se atrevem a encetar para esse fim os seus tesouros. O terceiro tinalmente dirige-se a todos os que se acham constituídos em dignidade, para que se contenham dentro dos justos limites da modéstia, sem que ao mesmo tempo deitem de 2Não louves ao varão pela sua gentileza, nem desprezes ao homem pelo seu exterior: 3Pequena é a abelha entre os animais voláteis, e com tudo isso logra o seu fruto a primazia da coçura. 4Não te pavoneies jamais no vestido, nem te desvaneças no dia da tua honra, porque só as obras do Altíssimo, sim as suas obras, e não as de outrem, são admiráveis, e gloriosas, e escondidas, e incógnitas. 5Muitos tiranos se assentaram no trono e outro, de quem tal se não pensava, levou o diademia. 6Muitos príncipes poderosos foram com grande violência oprimidos, e os que estavam ufanos vieram a ser entregues nas mãos de outros. 7Não vituperes ninguém antes de te haveres informado: E quando já tiveres perguntado, repreende-o com equidade. 8Sem que primeiro ouças, não respondas palavra: E no meio dos discursos não te metas a falar. 9Não disputes sobre coisas, que não têm nada contigo: E não te assentes no juízo dos pecadores. 10Filho, não tenhas empregadas as tuas diligências em muitos negócios: E se fores rico, de culpa não estarás isento: Porque se tu séguires a enchente deles, não poderás abrangê-los: E se, aos mesmos dando evasão, fores por diante, não escaparás de sempre carregar sobre 11o seu peso. a dizer o que se acaba de expor, "gublimar em honras, ou a honras, dar a investidura de algum governo, levantar a dignidades." — CIr. Dan 6, 3. 11 Há homem que trabalha, e se dá pressa, e se atormenta sem piedade, mas nem por isso terá maior abundância de bens. 12Há homem outrossim negligente que necessita de restauração, mas falto de vigor, e abundante de pobreza: 13E o olho de Deus pôs a sua vista benignamente sobre ele e o levantou da sua humilhação, e exaltou a sua cabeça: E maravilharam-se dele muitos, e glorificaram a Deus. 14Os bens e os males, a vida e a morte, a pobreza e as riquezas, tudo isto vem de Deus. 15Em Deus é também que se acham, a sabedoria, e o regulamento da vida, e a ciência da lei. A caridade e os caminhos das boas obras nele mesmo têm a sua origem. 16O erro e as trevas foram criadas com os pecadores: E os que se regozijam com os males que cometem. no mal envelhecem. 17O dom de Deus permanece firme nos justos, e O ERRO E AS TREVAS — Acabara de dizer o Sábio nos versos 11, 12. 13. 14, que todos os bens e males, de que a vida humana é capaz, nos são dados por Deus; aqui nos versos 15 e 16 ensina que os bens e os males, que somente dizem iespeito à alma, vêm da mesma mão do Onipotente. Mas procedem de Deus os bens e os males por mul diversa maneira; os bens já se sabe direta, própria, absolutamente" e da primeira vontade de Deus, e os males indireta e impropriamente, porque o mesmo ímpio é a própria causa dos males que padece. A este aflige Deus com desgraças, porque mereceu castigo. Porquanto o que está da parte de Deus, isso quer unicamente o mesmo Deus, que é, o ter cada um certa a sua salvação, e serem todos os homens acumulados de benefícios. Se o erro e as trevas reinam entre os homens, se v pecado e a morte invadiram o mundo, a culpa é só do homem, que provocando de sua livre vontade estes males, espontaneamente se sujeitou a fles. — Calmet. = 227 - o progresso que ele faz, terminar-se-á numa eterna felicidade. 18Há quem se enriquece vivendo com parcimónia, e toda a parte do seu galardão consiste 19em poder dizer: Eu achei meio de me pôr em descanso, e agora comerei só dos meus bens: 20E não sabe que tempo passará, e se avizinha a morte, e que deixará tudo aos outros, e morrerá. 21Persiste no teu pacto, e sobre ele seja a tua conversação, e envelhece em praticar o que te foi mandado. 22Não te detenhas nas obras dos pecadores. Mas confia em Deus, e conserva-te firme no teu lugar. 23Porque a Deus é fácil o enriquecer de repente ao pobre. 24A bênção de Deus se apressa a recompensar o justo, e muna rápida hora o faz crescer e frutificar. Eclesiástico 1I, 25-32 • 25Não digas: Que tenho eu já que fazer, e que bens poderei esperar daqui em diante? 26Não digas também: A mim basta-me o que tenho: E que mal posso eu temer que me suceda para o futuro? 27No dia dos bens não te esqueças dos males: E no dia dos males não te esqueças dos bens: 28Porque é fácil a Deus retribuir a cada um no dia da morte, segundo os seus caminhos. 29O mal presente faz esquecer os maiores prazeres, e la morte do homem serão descobertas as suas obras. 30Não louves homem algum antes da morte, porque o varão conhece-se pelos filhos que deixa. 31Não introduzas em tua casa a todo o homem: Porque são muitas as traições do doloso. 32Porquanto assim como as entranhas dos que nelas têm fétido, arrotam o seu mau cheiro, e assim como a perdiz é metida na gaiola, e como à corça vem a cair no laço: Assim é também o coração dos soberbos. e do mesmo modo aquele que está como de uma atalaia vendo a queda do seu próximo. 33Porque ele arnia ciladas, convertendo o bem em mal, e porá mácula nas coisas mais puras. 34Por uma só faísca se ateia com grande aumento o fogo, e por um doloso se aumenta o sangue: E o homem pecador arma traiçõés para o derramar. 35Guarda-te do homem pestífero, pois está forjando males: Para que não suceda que faça cair sobre ti para sempre alguma infâmia. 36Dá entrada em tua casa ao estrangeiro, e ele exercitará tal reboliço, que te arruíne e te lançará fora da tua própria morada.